'Faraó dos bitcoins' diz à Justiça que obrigava Mirelis a operar criptomoedas para clientes através de tortura psicológica e cárcere privado

Glaidson Acácio dos Santos, o 'Faraó dos Bitcoins' Reprodução/TV Globo Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos bitcoins", disse à Justiça Federal que f...

'Faraó dos bitcoins' diz à Justiça que obrigava Mirelis a operar criptomoedas para clientes através de tortura psicológica e cárcere privado
'Faraó dos bitcoins' diz à Justiça que obrigava Mirelis a operar criptomoedas para clientes através de tortura psicológica e cárcere privado (Foto: Reprodução)

Glaidson Acácio dos Santos, o 'Faraó dos Bitcoins' Reprodução/TV Globo Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos bitcoins", disse à Justiça Federal que fazia tortura psicológica e mantinha a esposa e sócia da G.A.S. Consultoria, Mirelis Zerpa, em cárcere privado para obrigá-la a assinar as notas promissórias ligadas aos contratos de investimentos em criptoativos que prometiam rendimento de 10% ao mês. "Assinava debaixo de coação, tortura psicológica e cárcere privado". As notas promissórias eram emitidas pela G.A.S. e assinadas por Mirelis para prometer a devolução do capital inicial investido após o término do contrato de investimento em criptomoedas. O fundador da G.A.S. foi interrogado no processo da Operação Kriptos, em que o casal é acusado de chefiar o esquema ilegal de investimentos em criptomoedas que movimentou R$ 38 bilhões. O Fantástico teve acesso com exclusividade aos vídeos dos interrogatórios. 'Faraó dos Bitcoins' diz que fortuna trancada em cofre da PF pode pagar credores Segundo Glaidson, Mirelis também era obrigada por ele a investir os recursos dos clientes da G.A.S. no mercado cripto. "Ela não fazia a princípio, no começo, para terceiros. Não queria fazer. Mas ela era obrigada a fazer por mim, por chantagem emocional". A juíza, então, questionou como ele fazia chantagem com a mulher já depois de preso, quando Mirelis (que estava nos Estados Unidos) realizou uma movimentação financeira de cerca de R$ 1 bilhão, segundo a investigação. "Excelência, ela estava fazendo já antes de eu ser preso por causa de violência psicológica, por chantagem emocional de colocá-la no país dela, na Venezuela. E pedir divórcio. E até mesmo coação dentro de casa. Na Delegacia de Mulher, Vossa Excelência sabe, se o delegado dela, o advogado dela, quiser fazer uma queixa-crime na delegacia pode fazer, mas eu estou aqui confessando diante desse juízo diante do também do senhor guardião do Código Penal, o senhor procurador, que foi lamentável o que eu fiz". Em seu depoimento, Mirelis confirmou que era obrigada por Glaidson a figurar como avalista nas notas promissórias da G.A.S. "E ele falou 'você vai ser como avalista". Eu falei 'ok, tá bom'. Assim eu comecei a fazer isso. Aí ele me falou "Mirelis, faça isso. Porque se não fizer isso, podemos ter problema no futuro porque a empresa foi criada. A empresa foi criada e você é especialista em criptomoeda'. Sempre havia, como eu te falo... em todas as decisões que se tomava, seja em nossa casa, seja na empresa, não havia uma opção de eu falar 'não' para ele. Sempre 'tem que fazer'. Se eu queria dizer 'não', ele dizia 'tem que fazer'. Questionada se ela se sentia pressionada pelo marido, a venezuelana respondeu: "Havia uma pressão. Como eu falei no princípio, eu não estava de acordo com muita coisa e havia uma pressão". Ela também declarou que assinou inicialmente diversos documentos à mão e, posteriormente, autorizou o uso de sua assinatura em sistemas automatizados. Glaidson e Mirelis disseram que, apesar de a venezuela constar formalmente como sócia da G.A.S., ela não tinha qualquer ingerência nos negócios da empresa. Segundo eles, a função de Mirelis era apenas investir o dinheiro dos clientes em criptoativos para honrar os contratos que prometiam rendimentos mensais de 10%. Em alegações finais, o Ministério Público Federal pediu a condenação de Glaidson e Mirelis por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional, como oferta irregular de valores mobiliários (investimentos), operar instituição financeira sem autorização e gestão fraudulenta. Outro lado Em nota, a defesa de Mirelis Zerpa afirmou que "após a prisão de Glaidson, Mirelis, que não integrava a estrutura administrativa da GAS e não detinha conhecimento sobre seu funcionamento interno, foi orientada pelos advogados da empresa a adotar as providências necessárias para a continuidade dos pagamentos aos clientes, inclusive mediante a venda dos bitcoins então existentes nas carteiras da GAS, de modo a viabilizar a manutenção da remuneração de 10% que vinha sendo paga aos investidores". O comunicado diz ainda que "Mirelis não 'sacou' ou se apropriou de R$ 1 bilhão. Os valores em questão correspondiam a Bitcoins que estavam custodiados nas carteiras da GAS e foram movimentados com a finalidade de restituir aos próprios clientes os valores que lhes pertenciam, diante da situação decorrente da prisão de Glaidson e da interrupção das atividades da empresa". Já a defesa de Glaidson declarou que a prova dos autos "atesta a absoluta ausência de atuação da sra. Mirelis Yoseline Diaz Zerpa no âmbito da G.A.S Consultoria e Tecnologia LTDA., tendo esta figurado formalmente na condição de sócia da pessoa jurídica apenas por ser esposa do sr. Glaidson Acácio dos Santos". LEIA TAMBÉM Faraó dos bitcoins: Fantástico tem acesso exclusivo a depoimentos sobre destino de fortuna de bilhões de reais 'Faraó dos Bitcoins' diz que planejou ida de Mirelis aos EUA antes da Operação Kryptos; casal nega fuga do Brasil